Thursday, August 3, 2017

I.

Escrevo enquanto oculto a minha rotina cheia de memórias tuas. Despedi-me do Porto para esquecer-me da tua existência. Dormir naquele quarto cheio de memórias, roupa tua, objetos teus tirava-me o ar, despia-me a alma para um lugar sangrento. Penso ainda nos dias em que vais voltar aos meus braços, em que soltas palavras de amor e mexes com saudade nas nossas recordações. Já sei que o nosso amor foi outro amor qualquer. Para ti. Mas não deixo de dizer que o nosso amor, foi o amor maior que eu já tive. E acordo todos os dias com o pensamento cheio de desejos e vontades de ter-te nos meus braços. Escrevo isto também a saber que estás longe, estás feliz, estás fora do meu mundo, estás a criar outros sentimentos com outras pessoas e eu sei disso tão bem. Ainda não consigo perceber como já não vês nada em mim. Parece que tudo foi destruído e eu sou a pessoa que mais odeias no mundo. Odiar. Palavra tão forte. Era incapaz de te odiar. Amar-te-ia sempre mesmo com todo o ódio que existe. Acho que nunca vou conseguir esquecer o passado, mesmo que as recordações do presente sejam dolorosas.

Magoa-me saber que já não existo. Sou apenas mais uma pessoa no mundo. Uma pessoa que passou na tua vida e agora está tudo bem, porque os sentimentos dissiparam-se. Magoa-me saber que nunca mais vamos ser um, que não vou voltar a ter uma vida em conjunto, existir beijos e abraços e conversas de amor e noites de dormir apenas porque é bom dormir ao teu lado. É uma faca no coração que não deixa de sangrar. Talvez sejamos impossíveis, incompatíveis, disfuncionais. Acredito mesmo que sim. E acredito que escrevo este texto enquanto não te vem à cabeça nem um pensamento da minha existência. Já não queres saber se eu respiro ou não. Talvez seja essa a dor maior no meio disto tudo. Não quero sequer acreditar que já não te lembras de mim, que não recordes com saudades os momentos felizes que tivemos. Mas não morro de saber que isso já não acontece. Escrevo apenas para dizer que vou sempre amar-te. E tu nunca mais me vais amar.

Acreditei nas tuas palavras de amor. Era um fervor no peito quando dizias que me amavas, quando tinhas ciúmes, quando dizias que não querias deixar-me sair da tua vida, quando dizias que não era impossível voltarmos no futuro. Acreditei em todas essas palavras como se fossem preciosas e agora, o que sobra de nós? Nada. Não sobra absolutamente nada. Sobra ódio, desprezo, cansaço, manipulação, indiferença. Sobra tudo de mau. E pergunto-me, todos os dias, se era isso que estava estipulado para nós as duas. Pergunto-me se será sempre o nosso futuro.
Queria conseguir fugir do meu pensamento sobre ti. Esquecer-me da tua existência. Mas parece-me obra impossível. E agora escrevo. Mais uma vez, daquilo que não te posso dizer.


O fim chegou. 

Tuesday, May 30, 2017

Penso a mil, destruo a outros mil. Sentir nunca foi tão difícil para mim, eu que rejeitei todos os meus sentimentos e fui tão feliz na minha bela ignorância de saber viver. Continuo a escrever porque os sentimentos não param de crescer, não consigo desligar o meu cérebro e já é complicado encontrar boas formas para saber sorrir.
Tenho vontade de chorar muito. Tenho vontade de rir. Rir até esquecer que sou infeliz. Cansa-me o corpo saber que nunca sou verdadeiramente feliz, que esta procura pela felicidade tornou-se um meio para uma obsessão desenfreada na minha vida. Se algum dia conseguir ser feliz, espero conseguir congelar esse momento para nunca mais o esquecer. Agarrar-me aos sentimentos bons para saber que é possível sentir-me num espaço de plenitude e calma. Calma. Seria tão bom sentir calma em mim, conseguir respirar fundo e aproveitar o ar, o calor, as pessoas no seu caminho, os mundos que existem para além do meu pequeno, grande mundo.
Tenho receio de ser mais uma. Mas a verdade, das verdades, é que sou realmente mais uma no mundo. Não sou especial, não sou mais do que a pessoa sentada ao meu lado, nem o senhor do autocarro. Talvez seja mais bonito pensar que somos todos especiais, todos temos um propósito muito claro para viver. Assim sim, seria tão bonita a vida que podíamos esquecer que os maus momentos são uma via para sermos felizes. Já disse algumas vezes a palavra feliz e não deixa de parecer tão longe, quanto o amor que desapareceu e insiste em não voltar.
Não quero sentir, não quero, não quero, não quero. Quero apenas cair no chão e pensar que tudo está bem. Não há razões para não querer sentir. E quantas mais vezes tento interiorizar estas palavras, mais cresce uma neutralidade estranha em mim. Uma neutralidade que puxa os pensamentos cansados de quanto o amor é um sentimento complicado de digerir. O amor podia ser contado em diversas versões até cansarmos-nos de pensar em amar. Seria impossível, eu sei. Mas o sofrimento é tão certo, quanto morrer. E eu já tenho medo de morrer, porque insistir em mergulhar num sofrimento profundo que me faz deslizar por uma montanha russa de emoções?

Um dia espero conseguir fazer alguma diferença, espero transmitir um sentimento a alguém, fazer com que um pensamento seja clarificado e ver a paz a nascer em alguém. Pode ser um sentimento egoísta, mas nada me faz mais feliz do que fazer a diferença em alguém. Escrever um texto que crie uma borboleta no estômago, uma lágrima de saudade ou um alivio porque não somos os únicos no mundo a sofrer, a sentir qualquer tipo de sentimento, bom ou mão. 
Um dia, um dia... Posso vir a ser verdadeiramente feliz.


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